domingo, 21 de novembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Elvis Não Morreu

Não é novidade para ninguém que Elvis Presley começou usando seu talento vocal para Deus, cantando músicas religiosas. Com o tempo, a fama lhe subiu à cabeça e ele entrou para a história como o “rei do rock”. Envolveu-se com drogas e acabou morrendo de disfunção cardíaca no dia 16 de agosto de 1977. A história dele, infelizmente, não é a única. Outros cantores tiveram trajetória semelhante, da igreja para os palcos. Do louvor a Deus para a autoglorificação. Da humildade e simplicidade da vida cristã para a pompa e ostentação de uma vida vazia regada a dinheiro, vaidade e prazer. Lamentavelmente, o “espírito de Elvis” revive cada vez que um cantor sacro (ou “gospel”, como queiram) começa a ser assediado e cede aos apelos secularizantes dos holofotes do mundo.
É verdade que o cristão tem que ser sal da terra (Mateus 5:13) e que, para cumprir esse imperativo, deve se misturar à “terra”. Mas o sal de nada serve se seu sabor for o mesmo do alimento que precisa salgar. O sal se distingue por seu sabor peculiar. Se destaca. Assim como Jesus, quando aceitava comer com pecadores e visitar lares ímpios. A atmosfera celestial O acompanhava. Ele acabava sendo a influência dominante, de tal maneira que os pecadores se sentiam atraídos por Ele e muitos se rendiam ao poder transformador que dEle emanava. Isso é ser luz e sal; misturar-se para contagiar e salvar.
Na intenção de tornar o evangelho mais “palatável”, muito cristãos confundem as coisas. Levam tão a extremo a ideia de se misturar que acabam perdendo o sabor; o selo de distinção que consiste em estar no mundo sem pertencer a ele. Como identificar o marco de separação? Acredito que, sem íntima comunhão com Deus e estudo de Sua Palavra, nesta cultura secularizada e pós-moderna em que vivemos, isso será cada vez mais difícil.
Para ser um cristão autêntico, é mister iniciar uma nova vida com Jesus; deve haver separação do “mundo” e pensar mais “nas coisas do alto” (Colossenses 3:2). Enfim, ter novas prioridades (primeiro o reino de Deus, como diz Mateus 6:33). Mas quem disse que isso é fácil? Na verdade, além do cinema, uma das coisas mais difíceis de abandonar foi meu gosto por música secular. Foi com muita luta que me desfiz de fitas K-7 (lá se vão alguns anos, CDs não eram tão acessíveis – pelo menos para mim) de grupos como Legião Urbana e Engenheiros do Hawaii. E antes que alguém pense que a Igreja promove uma espécie de “caça às bruxas” interferindo no gosto das pessoas, fazendo-as jogar na “fogueira” aquilo que considera profano, fique claro que a decisão de me desfazer de certas fitas, revistas e alguns livros foi inteiramente minha. Estudando a Bíblia, pude perceber que o padrão que Deus requer de Seus filhos é mais elevado, puro e enobrecedor. Entendi que estamos em meio a um grande conflito cósmico entre o bem e o mal, e que a mente é o principal campo de batalha dessa guerra espiritual. Compreendi que devemos evitar leituras que possam interferir em nossa caminhada, ou ainda que sugiram pensamentos inoportunos e que não podemos ter coração dividido, se é que desejamos permanecer no lado vitorioso desse conflito.
Minha decisão partiu da convicção profunda de que meus gostos precisavam ser refinados e meus passatempos orientados no sentido de promover o crescimento espiritual. Evidentemente que, do ponto de vista estético, eram (e algumas o são ainda hoje) bonitas muitas músicas que eu ouvia anteriormente. Mas a questão é: Elas me aproximavam de Deus? Os sentimentos que despertavam me ajudavam a manter o foco nas “coisas do alto”?
Muito dessa tentativa de conciliação entre o secular e o sagrado provém da teologia liberal que está destruindo o poder do cristianismo autêntico. Mas o “cristianismo” liberal é tão irracional e inconsequente que até os ateus conseguem desmontar seus argumentos. Foi o que fez o ateu Christopher Hitchens numdiálogo com Maryiln Sewell. Ela disse: “O tipo de religião que você cita em seu livro é, em termos gerais, do tipo fundamentalista em todas as suas variantes. Eu sou uma cristã liberal e não interpreto as histórias das Escrituras de forma literal. Não acredito na doutrina da Expiação (que Jesus morreu pelos nossos pecados, por exemplo). Você faz alguma distinção entre os fundamentalistas e a fé liberal?” Hitchens respondeu: “Eu diria que, se você não acredita que Jesus de Nazaré era o Cristo e o Messias, e que Ele ressuscitou dos mortos e que pelo Seu sacrifício os nossos pecados estão perdoados, então você não é em nenhum sentido significativo uma cristã.
Portanto, antes de me acusar de “fundamentalista” ou coisa pior, verifique se sua posição é bíblica e se seria sustentada por Jesus Cristo, o maior “fundamentalista” que já existiu, afinal, foi Ele quem pregou os fundamentos do verdadeiro cristianismo.
Se os cantores sacros e nós que os ouvimos continuarmos a contemporizar com o secularismo reinante, poderemos dizer realmente que Elvis não morreu – mas nossa fé estará correndo sério risco de morte.


Michelson Borges